Usei um CELULAR velho como uma RASPBERRY PI
09/07/2023
Olá a todos! Como vão? Espero que estejam bem. Outro dia, conversando no grupo do Telegram, estávamos discutindo como e onde hospedar o Zariduck, um bot que temos lá para experimentar e se divertir. Como a Oracle não me deixava criar uma conta de jeito nenhum… Enfim, entre várias opções, me ocorreu uma ideia meio maluca: aproveitar um celular antigo que tenho guardado e instalar o Termux nele.
O que é o Termux?
Para quem não sabe, o Termux é um aplicativo que nos dá um shell Linux no Android. Não é nenhum tipo de emulação nem nada do tipo; são binários totalmente nativos. Portanto, podemos rodar desde comandos básicos até aplicações complexas. Dado o baixo poder do celular, pensei que poderíamos compará-lo a uma Raspberry Pi. Então, neste vídeo, vou mostrar alguns casos de uso e comparações. Sem mais delongas, vamos começar!
Configurando o dispositivo
Neste caso, buscamos o melhor desempenho, então o melhor a fazer é remover todo o bloatware do celular, como os serviços do Google. Assim teremos mais RAM disponível, algo de que este celular está bem carente. Além disso, como o celular quase não tem armazenamento, isso nos ajudará a guardar mais coisas.
Quanto à instalação do Termux, não é nenhuma ciência de foguetes. Você pode baixar um APK da página do F-Droid e, ao abri-lo, executamos pkg update.
Configurando o Termux
No meu caso, como prefiro o Pacman e o Termux o suporta, substituí o “apt” pelo “pacman”. Embora não seja estritamente necessário, isso nos ajuda a ter um gerenciador de pacotes mais rápido. Isso é mais perceptível em armazenamentos lentos como o deste celular, já que o Pacman é muito mais rápido que o Apt.
Um pouco fora da configuração, usar o terminal diretamente do celular não é muito confortável, então precisaremos instalar o OpenSSH, que fornece os protocolos SSH e SFTP. O primeiro serve para acessar o shell a partir de outro dispositivo e o segundo para acessar o sistema de arquivos; o servidor ssh é iniciado com o comando sshd.
Agora estamos prontos. As coisas que vou fazer serão um pouco técnicas demais para outros usos populares da Raspberry Pi, como emulação, por exemplo. Usar o Termux tira muito desempenho, e é melhor usar emuladores Android com um controle para ficar mais confortável. Mas isso foge do escopo deste vídeo.
Casos de uso
Acesso SSH
Conectar-se ao dispositivo é bem fácil com o OpenSSH em outro dispositivo. Conectamos com o comando ssh -p 8022, já que o Termux usa uma porta não padrão. Para SFTP, é sftp -P 8022. Quanto ao SFTP, a maioria dos gerenciadores de arquivos modernos suporta acesso via SFTP, o que pode ser útil para gerenciar arquivos com mais conforto.
A partir daqui, podemos divergir para o que quisermos fazer. Para o meu propósito, tudo o que fiz foi colocar o código do meu bot, feito em Python, e executá-lo.
Um detalhe é que, obviamente, não teremos a tela do celular ativa o tempo todo, mas, se a desligarmos, notaremos uma lentidão tremenda. Para corrigir isso, o melhor é desativar todas as otimizações de bateria, tanto as do sistema quanto as do aplicativo Termux. Isso ajudará a mitigar a lentidão.
Ideias
Então, poderíamos montar, por exemplo:
- Um site
- Um bot do Telegram como o que eu fiz
- Um pequeno banco de dados
- Uma mini central de mídia, se tivermos bastante espaço
- Entre muitas outras coisas relacionadas.
Armazenamento em LAN
Outra opção parecida é usá-lo como um NAS doméstico via SFTP. Um NAS é um dispositivo de armazenamento conectado a uma rede local que permite o compartilhamento e o acesso centralizado a arquivos. Assim, usando este celular como intermediário, poderíamos nos conectar de qualquer dispositivo da casa, embora um cartão SD seja bastante recomendado, claro.
Usando o proot-distro
Então, basicamente, poderíamos fazer um mini servidor. Mas, além disso, um recurso um tanto interessante do Termux é o Proot-distro, que nos dá algumas distribuições em um ambiente Proot.
Basicamente, isso nos permite trocar a raiz e usar programas, bibliotecas e outros componentes do sistema raiz. Assim, podemos ter, por exemplo, Debian ou Arch em um sistema diferente sem precisar criar uma máquina virtual.
Embora tenha suas respectivas limitações, sem ir muito longe, uma ideia que me vem à cabeça é que, se formos desenvolvedores, em vez de criar uma máquina virtual ARM, poderíamos tentar usar isso como alternativa para testar como o software roda em um sistema ARM.
Embora existam várias arquiteturas ARM, no meu caso é ARMv7l, ou seja, 32 bits. O ARMv8.x é de 64 bits, embora tenha subversões. Essencialmente, são iguais, com melhorias de segurança e desempenho. Existe também o ARMv9, mais moderno, mas, se vamos usar um celular um pouco antigo, duvido que ele o tenha.
Executando programas com interface gráfica
Além disso, também poderíamos usar o celular como apoio para rodar programas. Quer dizer, o Termux tem um repositório chamado “x11”, que inclui bibliotecas e programas para X11: programas com interface gráfica como GIMP, Inkscape ou até o Chromium.
Se o celular for grande o suficiente, poderíamos até usar o aplicativo Termux X11, que é basicamente um servidor de display X11 para o Termux, como tela secundária. Caso não nos interesse isso, podemos fazer encaminhamento de portas com SSH. Para isso, precisamos instalar o pacote “xauth” em ambos os dispositivos e adicionar uma linha simples à configuração do SSH em ambos (../usr/etc/ssh/sshd_config no Termux, /etc/ssh/ssh_config em um sistema Linux comum).


